segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Paralelismo sintático

Como nos ensina Othon Garcia em seu Comunicação em prosa moderna (adoro esse livro), esse processo aplica-se às orações coordenadas; Não é obrigatório, mas torna as orações mais claras e favorece a uma leitura mais rápida e eficaz na medida em que simplifica a estrutura sintática entre duas ou mais orações relacionadas entre si por coordenação.
Vejamos primeiramente um exemplo:

Não saí de casa por estar chovendo e porque era ponto facultativo.

A conjunção coordenativa usada entre as orações 1 e 2 (por) é distinta da usada entre 2 e 3 (porque), embora a relação seja a mesma (explicativa).
Ainda que não seja considerado um "erro gramatical" pois as conjunções usadas estão de acordo com a ideia subjacente (explicação), a falta de paralismo torna a leitura um pouco mais truncada pois as estruturas sintáticas ficam diferentes (os tempos verbais em uma oração (estar no infinitivo) e na outra (era no pretérito perfeito)) e isso acaba por atrapalhar a fluência. Aplicando o paralelismo, teremos um período com uma estrutura semelhante e isso favorece a leitura. Vejamos:

Não saí de casa por estar chovendo e por ser ponto facultativo.

Ou

Não saí de casa porque estava chovendo e porque era ponto facultativo.

Ou ainda:

Não saí de casa não só por estar chovendo mas também por ser ponto facultativo.

A escolha entre cada uma das possibilidades deve levar em conta o objetivo do texto. Sendo assim, a primeira estilísticamente é melhor para textos mais objetivos, por ser mais concisa, enquanto as outras duas seriam mais aplicáveis a textos mais rebuscados.

Portanto, embora não seja obrigatório,  o paralelismo sintático é aconselhável como uma técnica para tornar mais simples e eficaz o período. 
Por fim, há ainda o paralelismo semântico o qual comentarei depois.
Qualquer dúvida,  usem os comentários.

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