Já falei do paralelismo sintático em outro post, vejamos agora outra espécie de paralelismo, o semântico, ambos comentados por Othon Garcia em seu comunicação em prosa moderna.
Tal como o sintático, é algo pertencente ao estilo, ou seja, não é algo obrigatório, mas serve como um recurso importante para garantir a fluência do período e para criação de ironias ou humor.
Comecemos por um exemplo:
Ex. A viagem foi ótima, fomos primeiramente ao Paraná e depois a Blumenau.
Os termos coordenados: Paraná e Blumenal pertecem a campos semânticos distintos: estado e cidade respectivamente.
Tal como o sintático, esse problema, embora não seja considerado "erro gramatical" deixa a leitura mais truncada, sendo, portanto, o paralelismo, uma forma de darmos mais fluência ao texto. Vejamos o exemplo com paralelismo.
Ex. A viagem foi ótima, fomos primeiramente ao Paraná e depois a Santa Catarina onde visitamos Blumenau.
Contudo, para efeitos de humor e ironias é muito comum essa quebra. Vejamos:
Ex. Ele é professor e rico.
Os termos: professor (substantivo) e rico (adjetivo) pertencem a classes de palavras distintas. Contudo, percebe-se que a coordenação entre esses termos pode (dependendo do contexto) indicar ironia. Nesse exemplo, subentende-se que a ideia de "ser rico" é surpreendente para um professor. A conjunção "e" possui nesse caso valor adversativo, próximo a "mas".
Nesses casos é sempre comum o efeito humorístico ou irônico recair sobre o segundo termo que serve como quebra da expectativa lançada pelo primeiro termo.
Conclui-se, portanto, que o paralelismo semântico, tal como o sintático, não é obrigatório, mas recomendável para uma maior fluência do período, sendo sua quebra um importante efeito humorístico.
Qualquer dúvida, usem os comentários.
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